Fonte: Márcio Gastaldo, da redação do Muticom.org
Com o tema “Novos cenários políticos e sociais e processos de comunicação”, Pedro Ribeiro de Oliveira, sociólogo e professor da PUC-MG, iniciou a primeira conferência do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe. O conferencista interpretou de maneira literal a palavra “cenário” e buscou apresentar diversas composições cênicas de um grande teatro: a história dos povos latino-americanos. Para isso, retornou às origens da América Latina, com os nativos e o processo de conquista e extermínio, executado por parte dos colonizadores europeus.
O sociólogo, para compor o cenário desta peça, aponta que quem sempre dominou o palco foi a elite branca. Indígenas e afro-descendentes permaneceram reprimidos, na periferia do palco, sem vez nem voz. Assim, atores e coadjuvantes interpretaram seus papéis sem grandes alterações na estrutura do roteiro, ao longo dos séculos. Mudaram fantasias (hegemonia portuguesa, holandesa, inglesa e norte-americana) e ocorreram conflitos entre os grupos, mas nenhuma alteração definitiva ocorreu. A dominação que inicialmente era de servidão, passou a ser econômica e cultural. Este é o cenário que se percebia em 1992, quando se completavam 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América.
Um olhar mais cauteloso, entretanto, indica que o teatro já estava se transformando lentamente, desde os anos 50 do século 20, quando a cultura popular – sempre desqualificada e sufocada pela cultura de elite – passou a aglutinar grupos de interesses entre trabalhadores do campo e das cidades, religiosos, leigos e artistas populares. Desse modo, nasceram os movimentos sociais mediante processos de comunicação popular e coletiva à margem dos veículos oficiais, formando consciências, utopias e projetos.
No final do século 20 e no início do 21, caíram as ditaduras militares latino-americanas e surgiram diversos governos de postura neoliberal. Segundo Pedro Ribeiro de Oliveira, isso serviu de preparação para o terceiro ato: o fim da hegemonia dos Estados Unidos, evidenciado particularmente a partir da crise financeira de 2008.
Nesse ínterim, os movimentos sociais saem da periferia e vêm para o centro do palco, trazendo uma afirmação categórica: “Outro mundo é possível”. Tais movimentos confiam mais na mobilização das vontades do que na força de imposição do Estado, por isso apostam na formação da consciência política, mostrando que não é possível a integração ao sistema. Afinal, no sistema de mercado não cabemos todos. A solução estaria em um sistema solidário e não competitivo, abandonando a ânsia produtivista e consumista que está destruindo o planeta.
O sociólogo traz à tona o desastre no Haiti para mostrar como serão enfrentadas as crises ecológicas que deverão ocorrer no século 21: ou com a solução militar de repressão e dominação, proposta pelos Estados Unidos, ou de maneira solidária, reconstruindo coletivamente o que se perdeu e criando algo novo, que seja do interesse do povo haitiano.
“Será isso uma utopia?”, indaga Pedro Ribeiro de Oliveira. “Sim, mas é uma utopia que merece mais credibilidade do que a utopia do capitalismo, que promete felicidade a todos, mas a reserva somente para alguns”. E finaliza: “Estou aqui, em um Mutirão de Comunicação, para que a seguinte mensagem seja reproduzida em outros lugares: é na força da periferia que está a solução”.
O sociólogo, para compor o cenário desta peça, aponta que quem sempre dominou o palco foi a elite branca. Indígenas e afro-descendentes permaneceram reprimidos, na periferia do palco, sem vez nem voz. Assim, atores e coadjuvantes interpretaram seus papéis sem grandes alterações na estrutura do roteiro, ao longo dos séculos. Mudaram fantasias (hegemonia portuguesa, holandesa, inglesa e norte-americana) e ocorreram conflitos entre os grupos, mas nenhuma alteração definitiva ocorreu. A dominação que inicialmente era de servidão, passou a ser econômica e cultural. Este é o cenário que se percebia em 1992, quando se completavam 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América.
Um olhar mais cauteloso, entretanto, indica que o teatro já estava se transformando lentamente, desde os anos 50 do século 20, quando a cultura popular – sempre desqualificada e sufocada pela cultura de elite – passou a aglutinar grupos de interesses entre trabalhadores do campo e das cidades, religiosos, leigos e artistas populares. Desse modo, nasceram os movimentos sociais mediante processos de comunicação popular e coletiva à margem dos veículos oficiais, formando consciências, utopias e projetos.
No final do século 20 e no início do 21, caíram as ditaduras militares latino-americanas e surgiram diversos governos de postura neoliberal. Segundo Pedro Ribeiro de Oliveira, isso serviu de preparação para o terceiro ato: o fim da hegemonia dos Estados Unidos, evidenciado particularmente a partir da crise financeira de 2008.
Nesse ínterim, os movimentos sociais saem da periferia e vêm para o centro do palco, trazendo uma afirmação categórica: “Outro mundo é possível”. Tais movimentos confiam mais na mobilização das vontades do que na força de imposição do Estado, por isso apostam na formação da consciência política, mostrando que não é possível a integração ao sistema. Afinal, no sistema de mercado não cabemos todos. A solução estaria em um sistema solidário e não competitivo, abandonando a ânsia produtivista e consumista que está destruindo o planeta.
O sociólogo traz à tona o desastre no Haiti para mostrar como serão enfrentadas as crises ecológicas que deverão ocorrer no século 21: ou com a solução militar de repressão e dominação, proposta pelos Estados Unidos, ou de maneira solidária, reconstruindo coletivamente o que se perdeu e criando algo novo, que seja do interesse do povo haitiano.
“Será isso uma utopia?”, indaga Pedro Ribeiro de Oliveira. “Sim, mas é uma utopia que merece mais credibilidade do que a utopia do capitalismo, que promete felicidade a todos, mas a reserva somente para alguns”. E finaliza: “Estou aqui, em um Mutirão de Comunicação, para que a seguinte mensagem seja reproduzida em outros lugares: é na força da periferia que está a solução”.

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