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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cai número de saída de brasileiros do Japão

Os dados englobam todos os tipos de visto de janeiro a outubro de 2009
O número de saídas de brasileiros no Japão, que chegou a mais de 12 mil em janeiro de 2009, caiu para pouco mais de seis mil em outubro. Os números incluem todos os tipos de vistos, mas a maioria é de vistos de longa duração e permanente.

A edição 954 do Jornal International Press traz todos os números de entradas e saídas de brasileiros no Japão, de janeiro a outubro do ano passado, comparados a 2006, 2007 e 2008, além dos últimos dados de brasileiros em Aichi, Shiga e Gifu.

A cada semana o jornal International Press publica novos números atualizados com dados sobre emprego, desemprego, salários, imigração e índices econômicos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Japão e Brasil terão encontro sobre acordo previdenciário

Fontes do ministério das Relações Exteriores do Japão confirmaram que estão marcando um encontro com o ministério das Relações Exteriores do Brasil para falarem sobre o acordo previdenciário entre os dois países.

O encontro estaria sendo marcado em Brasília para o final de janeiro. A embaixada do Brasil em Tokyo confirmou os contatos, mas disse que não tem maiores detalhes sobre as conversações.

O esboço do acordo bilateral já foi discutido e elaborado pelo ministério do Trabalho e da Previdência Social brasileiro e pelo minsitério da Saúde e Bem Estar Social japonês.

Segundo o ministério das Relações Exteriores do Japão, o encontro em Brasília vai rever ponto por ponto do acordo para dar-lhe um caráter de documento final.

No entanto, ainda não há confirmação sobre a assinatura do acordo e - se assinado -, em que data ocorreria.

Uma missão brasileira do ministério ddo Trabalho e da Previdência Social esteve no Japão em junho do ano passado. A missão teve encontros com autoridades japonesas do setor e visitou a comunidade para recolher informações que ajudassem na elaboração do acordo.

Na época, a missão projetou a assinatura do acordo para 2010. No entanto, o acordo só passaria a valer depois de sua aprovação no Congresso Nacional e no Parlamento japonês.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Notícias do Japão

Assembléia da CAPB(Comissão de Agentes de Pastoral Brasileira)

Como acontece todos os anos os missionários e missionárias que trabalham em comunidades com migrantes brasileiros se reuniram em assembléia de 8 a 10 de setembro na localidade de Takarazuka, nas proximidades de Osaka.

Neste ano tivemos a alegria de acolher alguns missionários recém-chegados, como Padre Osmar Padovan,Padre Aparecido Maciel Donizete e irmã Eunice. Contudo além de alguns que já retornaram ao Brasil, como as irmãs Kazuko e Theodora, Padre Evaristo Higa,agora é a vez do padre Zeca nos deixar. Significa que o quadro precisa de refôrço e renovação. Que venham os valentes. A messe é grande.

Desta vez tivemos a oportunidade de refletir sobre alguns tópicos significativos da Intrução Pastoral “Erga Migrantes, caritas Christi,” relacionados com a situação dos migrantes no Japão.
Como não podia deixar de ser, nossa atenção voltou-se também para a crise econômica mundial e seus efeitos sobre as comunidades. Ao mesmo tempo que constatamos sofrimentos nas famílias e comunidades, notamos maravilhosos testemunhos de solidariedade, fraternidade, doação e desprendimento de muitos migrantes indo ao encontro dos desempregados.

Brasileiros e a crise e alguns programas de governos no Japão.

Calcula-se que aproximadamente 54.400 brasileiros tenham retornado ao Brasil por causa da crise econômica.

As manchetes continuam a aparecer nos jornais, mais ou menos assim: “Governo do Japão ajuda brasileiros que desejam retornar ao Brasil”; “Prefeituras aumentam a ajuda aos migrantes desempregados”. Cuidado! Essa generosidade pode significar algo bem trágico.

O Japão que abriu as portas aos trabalhadores brasileiros, que abriu as portas para virem trabalhar aqui, parece ter formas sutis para fazer com que os desempregados deixem o país. Vejamos como funciona:

1- No Província de Gifu, o governo local disponibilizou até 700.000 yens(USD 7.000,00 aproximadamente) por família que desejasse retornar ao Brasil, com o compromisso de iniciar a devolução depois de três meses do retorno, com um prazo de três anos, ficando aberta a possibildiade de voltar. É facil entender estar o governo consciente da falta de condições de uma pessoa desempregada reembolsar a importância. A inadimplência será impedimento para que um novo visto seja emitido para quem for embora nessas condições.

2- O governo federal também quer ajudar os brasileiros desempregados para que voltem ao Brasil. Oferece 300.000 yens(aproximadamente USD 3.000,00), sem compromisso de devolver, sob a condição de cancelamento do visto de residência dos adultos e das crianças, sem dizer como poderiam reaver um novo visto no caso de querer retornar ao Japão depois de três anos de ter saído do país. Este programa está sendo considerado uma deportação difarçada.

3- O Governo to Japão tem o “auxílio-subsistência” para apoiar famílias de desempragados, sejam eles japoneses ou não. Nas Províncias de Aichi e Shizuoka, esse auxílio está sendo transformado em uma armadilha para os estrangeiros. Os funcionários dos governos provinciais condicionam o repasse da ajuda ao compromisso de que o migrante brasileiro ou peruano solicite a ajuda de 300.000 yens do governo federal para ir embora, renunciando ao visto de residência. Não é condição essencial para receber a ajuda, mas a tentativa é fazer pressão ou chantagem para que os trabalhadores desempregados abandonem o Japão.

Os migrantes, nessas condições se sentem muito mal-reconhecidos e injustiçados pois sua força de trabalho foi requisistada para vir ao Japão manter a economia do país em alta no tempo da famosa “bolha econômica”. Agora que a crise afeta especialmente os setores industriais, governo, empresários e empreiteiras de mão-de-obra, querem se desfazer deles de forma sutil, mas real.

Missionário Padre Olmes Milani (cs)
Tóquio- Japão

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Crise força retorno de 54 mil brasileiros do Japão

da BBC Brasil

A crise econômica e o aumento do desemprego no Japão provocaram uma queda recorde de 17,2% no número de imigrantes brasileiros no país.

Segundo dados do Ministério da Justiça do Japão, desde setembro do ano passado, início da crise financeira internacional, 54.709 brasileiros deixaram o país. No final de 2007, havia 316.967 brasileiros registrados no país.

Somente nos seis primeiros meses de 2009, a comunidade brasileira no país encolheu em 41.887 membros, gerando uma queda de 13,4% em relação ao total de 312.582 brasileiros registrados no país no fim de 2008.

"O desemprego gerado pela crise econômica é a principal causa dessa debandada de trabalhadores", aponta Roberto Maxwell, mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Shizuoka e especialista em migrações internacionais.

Em mais de 20 anos, desde o início da chegada dos primeiros imigrantes brasileiros ao país, este foi o segundo registro de queda neste número.

A outra retração aconteceu em 1998, ápice da recessão anterior enfrentada pelo Japão. Na ocasião, cerca de 11 mil brasileiros retornaram ao Brasil, uma queda de quase 5% no número total da população dekassegui.

Índice recorde
O desemprego é justamente o motivo que levou Hélio Kazuaki Ueta, 56, a tomar a decisão de voltar com toda a família para o Brasil.

Ele já começou a fazer as malas e deve embarcar de volta para São Paulo no fim do mês que vem. "Sei que a situação não vai melhorar e, mesmo que isso aconteça, não teria chance de voltar ao mercado de trabalho por causa da idade e do pouco conhecimento do idioma japonês", justifica o brasileiro, que ficou sete anos no país e há quase um ano não consegue emprego fixo.

"Fiz alguns bicos nesse período e também recebi seguro-desemprego", conta.
Ueta diz acreditar que a situação no Brasil também não está tão boa. Sem previsão de conseguir um emprego por lá também, ele pensa em virar fotógrafo e abrir um negócio próprio.

"Acho que a recuperação econômica do Brasil vai ser mais rápida que a do Japão", opina ele.
Segundo dados divulgados pelo governo do Japão nesta sexta-feira, o índice de desemprego no país é o pior desde o fim da Segunda Guerra.

Ele subiu 0,3 pontos percentuais em julho, e chegou a 5,7%. O número bateu o recorde anterior, registrado em abril de 2003, que foi de 5,5%.

Ajuda do governo
Muitos dos que estão voltando agora ao Brasil deram entrada no esquema de ajuda para regresso oferecido desde abril deste ano pelo governo japonês a imigrantes peruanos e brasileiros.

Esse auxílio contempla cada imigrante com um valor de cerca de US$ 3 mil. Seus dependentes ganham mais US$ 2 mil cada.

No entanto, um dos requisitos é que ele não volte ao Japão por um período mínimo de três anos. De 1º de abril até o início de agosto, um total de 9.762 pedidos haviam sido feitos para receber essa ajuda. A grande maioria, segundo o Ministério da Justiça, de brasileiros.

Mas o número de solicitações é bem baixo em relação à quantidade que já deixou o país. Para Maxwell, isso acontece porque os brasileiros ainda acreditam numa melhora da situação econômica, o que possibilitaria uma volta rápida às linhas de montagem das fábricas japonesas.

"Além disso, essa ajuda é muito pouca. Ninguém quer correr o risco de chegar ao Brasil, não conseguir emprego lá também e ainda não ter como voltar ao Japão por causa da condição de ter de esperar três anos para tentar retornar", sugere.

Estabilização
Apesar dos dados negativos, essa redução no número de brasileiros que vive no Japão tende a se estabilizar agora no segundo semestre.

"Acredito que não vai haver outra enxurrada de brasileiros deixando o Japão, mesmo com o fim do período de recebimento do seguro-desemprego", opina Maxwell.

Dados do Ministério da Justiça comprovam essa tendência. No primeiro trimestre deste ano, o saldo da diferença de entradas e saídas do país foi de 27.304 negativos. Já de abril a junho, a diferença negativa foi de 14.583.

"As pessoas que voltaram no início do ano começaram a dar notícias aos que ficaram sobre a situação no Brasil, que também não está nada fácil", justifica Maxwell. "Por isso, muitos vão tentar ficar aqui até quando der, mesmo que passem por dificuldades financeiras", diz.

As agências de viagem também confirmam a tendência de queda no número de saídas. Segundo a Alfainter, empresa especializada em viagens para América do Sul, as reservas de passagens são bem menores neste segundo semestre em relação ao primeiro.