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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Brasil e Itália realizam ação conjunta no Haiti

Fonte: www.oriundi.com.br

As marinhas do Brasil e da Itália anunciaram uma operação conjunta para ajuda médica e humanitária às vítimas do terremoto do Haiti. Para essa operação será empregado o porta-aviões ou Navio-Aeródromo (NAe) italiano “Cavour”, que está em trânsito da Itália para o Haiti. Atendendo a oferecimento do Ministério da Defesa italiano, a Marinha do Brasil embarcará médicos e helicópteros naquele navio.

O navio italiano, que foi projetado também para emprego em missões humanitárias em calamidades, conta com um hospital emergencial, aeronaves orgânicas, equipe médica e uma tropa de engenharia, com capacidade para remoção de escombros e reparos leves em vias, embarcada especialmente para esta missão.

A Marinha embarcará no “Cavour” dois helicópteros - um UH-14 Super Puma e um UH-12 Esquilo - e duas equipes de Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) da Força Aeronaval, além de uma equipe médica, da Esquadra Brasileira, especializada em Evacuação Aeromédica (EVAM). Esses destacamentos somam um total de 15 oficiais e 44 praças, além de uma carga de cerca de 2,2 ton.

A equipe médica brasileira será composta por seis médicos e oito enfermeiros da Marinha, além de cinco médicos e seis enfermeiros civis, designados pelo Ministério da Saúde, em um total de 26 pessoas da área médica, todos voluntários. A equipe atuará em conjunto com os médicos italianos, a princípio, a bordo do navio, em procedimentos de socorro médico às vítimas resgatadas por helicópteros de terra.

O NAe “Cavour” atracará em Fortaleza (CE) na manhã de 28 de janeiro, próxima quinta-feira, e após o embarque dos helicópteros e das equipes brasileiras, reabastecimento de gêneros secos e frigorificados e água, suspenderá com destino ao Haiti, onde deverá chegar, a depender das condições de tempo e mar, em 1° ou 2 de fevereiro. Entretanto, ainda no primeiro dia de navegação, após o suspender de Fortaleza, aquele porta-aviões será reabastecido, no mar, de combustível e querosene de aviação pelo Navio-Tanque “Almirante Gastão Motta”, da Esquadra Brasileira. Vale lembrar que esse é o mesmo navio que reabasteceu no mar os navios brasileiros e franceses, na operação de busca e resgate decorrente do acidente com a aeronave do vôo 447 da Air France.

O Capitão-de-Fragata Flávio Eduardo de Souza Cardoso será o chefe do contingente brasileiro que embarcará no NAe “Cavour”; a equipe médica brasileira será chefiada pelo Capitão-de-Fragata (Médico) Alvaro Figueiredo Bisneto; e a Ala Aeronaval pelo Capitão-de-Corveta Carlos Renato Benzi Zamprogno.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Os terremotos no Haiti

O abalo sísmico que recentemente devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, e seus arredores, só fez desvendar outros abalos sísmicos, históricos e estruturais, que marcam a face desfigurada daquele país. Primeiramente, temos os tremores políticos. Segundo país das Américas a conquistar a independência, só perdendo para os Estados Unidos, o Haiti revela uma trajetória de grande turbulência. A revolta dos escravos na ex-colônia francesa tentou forjar uma república negra ou afro-americana , única no continente, mas raramente logrou uma estabilidade política sobre a qual construir as bases de uma nação minimamente autônoma. De um extremo ao outro, da ditadura ao desgoverno, a instabilidade e a insegurança são páginas dolorosas e às vezes sangrentas de sua história.

Também do ponto de vista econômico, a nova república não conseguiu levantar os alicerces de uma infra-estrutura sólida, robusta e sustentável. Os empreendimentos na agricultura, por exemplo, não tem dado conta de matar a fome crônica de seus habitantes. Mais precárias ainda são as fontes energéticas, a tecnologia e a malha viária e portuária. Como no campo da política, a produção agrícola e industrial não floresceu em direção a uma economia minimamente autônoma. Os embargos sofridos pela ilha pioraram ainda mais se desenvolvimento.

Filho dessa política e dessa economia, o campo social resultou um caos generalizado ao longo dos séculos. Igualmente aqui, as turbulências não foram menos profundas. A pobreza e a miséria recorrentes degeneram em saques e revoltas, onde a criação e/ou fortalecimento de grupos rivais, mescladamente étnicos e sociais, ganha dimensões trágicas, violentas e, não raro, conflitos sanguinários. O índice de alfabetização e de escolaridade constitui um dos mais baixos do planeta, equiparando-se aos países mais pobres da África subsaariana.

Quando cidadãos que reverenciam a mesma bandeira e cantam o mesmo hino nacional, nas ruas e à plena luz do dia, disputam aos gritos, socos e empurrões caixas de comida, recipientes de água e um lugar na fila, algo se rompeu definitivamente na chamada civilização humana. Irreversivelmente, o tecido social se rasga e a dignidade da pessoa humana se vê aviltada e pisoteada.

Na Haiti, a precariedade na saúde, nos transportes públicos, na habitação e no consumo de um mínimo de calorias diárias é notória e mundialmente conhecida. Conhecida mas historicamente ignorada! A verdade é que o mundo, especialmente os países ricos, a começar pela antiga colonizadora França, tem marchado para o progresso indiferente ao abandono do Haiti, bem como de outros países do Caribe, da América do Sul, da África e da Ásia. Talvez a pronta solidariedade frente ao terremoto recente expresse, entre outras coisas, um sentimento de culpa desses países centrais. Uma forma de se ressarcir e purgar a indiferença passada. Daí o atropelo, a disputa e, por que não dizer, o caos pelo comando da ação humanitária.

Os abalos sísmicos - terremotos, revoluções, transformações tecnológicas ou políticas, culturais ou sociais – além de desnudar as feridas de uma nação esquecida, costumam também trazer lições. Lições duras e sofridas, aprendidas no fogo que torce o ferro e o aço. Quem sabe se abre um momento histórico não apenas para uma ação humanitária às vítimas do Haiti devastado, mas para a reconstrução conjunta da dignidade de todo um povo, de uma república e de uma esperança! Não bastam conferências e jogo de retórica, não basta jogar para a platéia. Faz-se necessário e urgente um investimento maciço para salvar a utopia de uma nação cuja bandeira expõe os símbolos da teimosia e da resistência.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Seminaristas do Haiti, abandonados

Por Jesús Colina
ROMA, quinta-feira, 21 de janeiro 2010 (ZENIT.org).- Seminaristas do Haiti ficaram abandonados depois do terremoto ter destruído seu seminário e, em meio ao pânico, tiveram de encontrar um teto para abrigar-se.No seminário nacional de Porto Príncipe, antes do sismo, havia cerca de 250 estudantes. Ajuda à Igreja que Sofre, preocupada por eles, informou que no país morreram pelo menos 30 seminaristas, mas são somente diocesanos, e sim também religiosos.No dia 17 de janeiro, o bispo de Fort-Liberté, Dom Chibly Langlois, em uma mensagem dirigida a essa associação pontifícia, revelou o que foi visto pelas pessoas que ele enviou para recolher 16 seminaristas na capital.“Um dos seminaristas havia passado dois dias e meio sob os escombros – conta o prelado. Outro estava ferido. Outros três estavam em estado de choque e precisavam de tratamentos particulares. Enviei dois seminaristas à República Dominicana, para que se submetam a exames médicos impossível em Fort-Liberté.”“Além disso – continua –, os seminaristas não puderam recuperar nada do que possuíam. Isso significa que, da nossa parte, é necessário não somente oferecer assistência médica, mas também ajuda financeira, para que possam comprar roupa e outros bens de primeira necessidade.”Diante desta situação, segundo informa a Zenit Xavier Legorreta, responsável pelas ajudas para a América Latina de Ajuda à Igreja que Sofre, uma das urgências é oferecer os meios necessários para reconstruir a comunidade dos seminaristas.Por este motivo, a associação enviou 100 mil dólares, que servirão para acolher esta comunidade de seminaristas e responder às suas necessidades.Esta ajuda dá continuidade a uma primeira doação de 70 mil dólares, destinados a intervenções de emergência. A mesma associação anunciou que em breve destinará mais ajudas.Ajuda à Igreja que sofre responde, dessa forma, a um desesperado apelo lançado pelo arcebispo de Cabo Haitiano, Dom Louis Kébreau, presidente da Conferência Episcopal do Haiti.A instituição coordena sua obra de assistência com o núncio apostólico no Haiti, Dom Bernardito Auza, que está fazendo que as ajudas cheguem de Santo Domingo, a capital da vizinha República Dominicana.Dom Auza enviou a Ajuda à Igreja que sofre uma lista das perdas mais graves da Igreja no país.Praticamente as 80 paróquias da arquidiocese de Porto Príncipe e suas capelas (cerca de quatro por paróquia) foram destruídas. “Estamos falando de umas 320 capelas!”, explica Legorreta, ao dar uma ideia da enorme tarefa que a Igreja local tem agora, depois de ter perdido o arcebispo de Porto Príncipe e seu vigário geral.Diante das enormes necessidades, o núncio apostólico confessa: “Não consigo multiplicar meu saco de arroz”.Legorreta está preparando uma missão de Ajuda à Igreja que Sofre no Haiti para as próximas semanas, para analisar como é possível responder à situação dos seminaristas, assim como a outras necessidades dramáticas da Igreja no país.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Brasileiros procuram embaixada para adotar crianças do Hati

Fonte; www.folhaonline.com.br

A Embaixada do Haiti no Brasil, em Brasília já recebeu o pedido de mais de 200 pessoas que disseram ter interesse em adotar crianças órfãs do Haiti. Entretanto, os pedidos não serão atendidos. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.


Conforme a Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Brasil, a adoção entre países não ocorre em casos de calamidade, quando é difícil identificar o histórico familiar da criança. Além disto, o Haiti não ratificou a convenção de Haia sobre o assunto.

TerremotoUm terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.


Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

EUA aprovam Status de Proteção Temporário a imigrantes haitianos


O governo Obama estendeu um status especial de imigração a haitianos que vivem ilegalmente nos Estados Unidos, protegendo-os da deportação por 18 meses e permitindo que os mesmos trabalhem no país.

Funcionários do governo disseram que o status especial cobriria pelo menos 100 mil haitianos que se acredita viverem nos Estados Unidos ilegalmente, bem como 30 mil haitianos que haviam recebido ordem de deportação. Haitianos que receberem o status temporário poderão obter documentos para viver e trabalhar no país legalmente.

A decisão do governo surge depois de diversos pedidos de status temporário após o terremoto na terça-feira. Na sexta-feira, 80 deputados e 18 senadores, incluindo democratas e republicanos, enviaram apelos ao governo para a concessão do status, assim como a conferência de bispos católico-romanos.

Napolitano disse que a proteção se estenderia apenas a haitianos que já estavam nos Estados Unidos na terça-feira. Até então, o governo hesitava em conceder o status temporário com medo de que isso pudesse incentivar um novo êxodo de haitianos desesperados chegando de barco ao sul da Flórida.

Defensores dos refugiados ficaram eufóricos. Cheryl Little, diretora executiva do Centro de Defesa do Imigrante da Flórida, em Miami, disse que ela e outros militantes haviam afirmado que permitir que os haitianos sem status legal trabalhassem nos EUA poderia ajudar a impedir uma nova onda de pessoas vindas de barco, porque os imigrantes enviariam dinheiro aos parentes em necessidade no Haiti, dando a eles os recursos para a reconstrução do país.