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sábado, 6 de fevereiro de 2010

'Movimentos sociais nasceram dos murmúrios dos caipiras', afirma sociólogo

Fonte: Adital - A notícia é da Revista Missões, por Cecília Paiva

O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, da PUCMG, percorreu a história da desestruturação ocorrida durante a formação dos povos latinos para então discorrer sobre os "Novos cenários políticos e sociais e processos de comunicação", tema da manhã de ontem (4), no Muticom, em Porto Alegre. A conferência ocorreu no plenário do Centro de Eventos do prédio 41 da PUCRS, sob a coordenação de Anamaría Rodríguez, da Colômbia.

Pedro Ribeiro, membro da Coordenação do Movimento Fé e Política, iniciou sua fala a partir da palavra "caipira", que significa estar envergonhado. Segundo ele, é assim que chamamos o povo da roça, que nada mais é que o índio e o africano destribalizados, envergonhados pela perda da honra e da dignidade. Trata-se de alguém que perdeu sua tribo e assim, "o caipira entrou na sociedade envergonhado. Veio conviver com os seus colonizadores que, com a força militar, construíram um novo sistema em nome de uma civilização superior. Subjugaram povos com suas armas e os remanescentes das sociedades tribais formaram as periferias, girando em torno das hegemonias, do poderio central", disse o sociólogo.

Os subjugados, apesar das situações de repressão ao longo da história, não pararam de murmurar, de contar e cantar seus causos repassando suas memórias de geração em geração. Para o sociólogo, essa comunicação se tornou a cultura popular, chave dos movimentos sociais. Houve tentativas de sufocar e desqualificar, usando os meios de comunicação para abafar, mas "a cultura popular encontrou alguns nichos, uma série de espaços marginais que se tornaram centros aglutinadores da cultura popular resguardando e recuperando a memória de povos e culturas", completou Pedro.

Dessa forma, surgiram novos atores em meio aos sistemas hegemônicos, com movimentos sociais buscando a formação das consciências e não a conquista do poder. Veio o Fórum Social Mundial e ecoou o anúncio de que um outro mundo é possível. De acordo com o conferencista, ainda não se sabe que mundo é esse que se quer, mas já se sabe não ser possível retornar a um sistema construtivista que destrói o mundo.

O discurso sobre um sistema que promete atender a todos os desejos já não é mais credível, sendo uma utopia muito maior do que a utopia de se criar um sistema solidário. Nesse sentido, Pedro disse acreditar na capacidade transformadora dos movimentos sociais, pois são representantes da voz silenciada que aprendeu a murmurar e a dizer uma mensagem de esperança, considerando o Mutirão de Comunicação uma forma de ajudar a amplificar essa mensagem.

Após a conferência da manhã, foram anunciadas as abordagens e painéis do período da tarde, incluindo os seminários sobre "Políticas Públicas e Gestão da Comunicação no Estado", "Novos processos de comunicação nos diferentes atores sociais", "Meios públicos e direito à comunicação", e "Ética da comunicação na perspectiva de direitos", com apresentação dos respectivos coordenadores.

Muticom ressalta avanços da comunicação no Governo Rafael Correa

Fonte: Adital

Na presidência do Equador desde 2007, o economista Rafael Correa vem concentrando vários esforços que se encaminham para uma comunicação mais democrática, plural e participativa. Este assunto foi tratado no Mutirão da Comunicação Latino-americano e Caribenho, que acontece em Porto Alegre (RS), por Fernando Checa, diretor geral do Centro Internacional de Estudos da Comunicação para América Latina (Ciespal).

Um dos pontos positivos do atual governo é o debate intenso que vem acontecendo em torno de uma Lei de Comunicação que regulamente e reconheça melhor os diversos setores ligados à área. "É um grande aspecto, que acontece dentro do Governo, que aponta para a democratização da Comunicação, com o diálogo dos meios envolvidos", disse Checa em conversa com a ADITAL.

Nesse processo, a participação de diversos setores é essencial para garantir um diálogo sadio. Nesse aspecto, pode-se afirmar que há muitas conquistas. Ele explica que desde os meios considerados independentes, outros públicos e setores privados, bem como os empresários, estão envolvidos nas discussões.
"Temos a Oclacc, Aler, Amarc, Coordenadoria de Rádio Popular do Equador, Alai (que tem sede em Quito), entre outros que representam muito bem movimentos e organizações diversas", afirmou o diretor geral do Ciespal.

O debate em torno da Lei vem se embasando em dez pontos. São eles: Liberdade de expressão, Informação verificada e plural, Direito à Retificação, Distribuição equitativa de frequências, Não concentração de frequências, Produção Plurinacional e local, Acesso universal às Tecnologias de Informação e Comunicação e Comunicação, Defensoria do Público, Distribuição equitativa da publicidade estatal, e Reversão de frequências.

Checa acrescenta que desde a proposta da Nova Constituição do Equador, aprovada com o aval da população equatoriana, já se apontava a área da comunicação como um aporte que necessitava de muitas mudanças. O fato recai, sobretudo, na questão dos meios privados.

No país, o Grupo Isaías que, entre várias empresas, era detentor de três canais de televisão, está sendo acompanhado pela Justiça Equatoriana e teve muitas de suas empresas embargadas em virtude de dívidas milionárias.

"A Constituição estabelece que deve haver meios públicos, comunitários e privados. Hoje no país não existem rádios comunitárias", ressaltou, apontando mais uma vez a importância de se discutir amplamente, em assembleias, a Lei de Comunicação.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


No ar 24 horas por dia, o site é bastante interativo e convida os ouvintes-internautas a participarem, mandarem seus recados e opinarem sobre a programação. Padre Gheller lembra que não só os migrantes, mas também aqueles que ficaram no Brasil, podem participar. "As mensagens podem ser enviadas por escrito (via mensagem) ou gravadas em áudio. Tudo é publicado. O que for enviado por escrito, vira programa", explica ele. Também é possível enviar e receber fotos e divulgar eventos das comunidades brasileiras...
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Rádio Migrantes: um elo entre o migrante e seu país

Abandonar sua origem e sua história para tentar vida nova, num país diferente. Os migrantes que largam tudo em busca de novas oportunidades deixam para trás não só sua terra natal, mas também família, amigos e cultura.

No último dia 3, entrou no ar a "Rádio Migrantes", uma iniciativa da Congregação Católica Missionários de São Carlos Borromeo Scalabrinianos, localizada em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, na região sul do Brasil. Podendo ser acessada pela internet no endereço www.radiomigrantes.net, o objetivo da rádio é ser um espaço de troca de mensagens entre amigos e familiares, além de divulgação de notícias, eventos, informações culturais, orientações e, claro, música brasileira e entretenimento. O projeto é coordenado pelo Padre Sérgio Gheller .