sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Comunicação ante o Deus da esperança

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Karla Nery, da redação do Muticom.org

A professora e doutora em Comunicação, Joana Puntel iniciou o seminário “Comunicação ante o Deus da esperança” testemunhando um episódio que ela viveu no exercício do jornalismo com o saudoso Dom Helder Câmara, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na ocasião, ela lembra que deveria escrever um artigo sobre a geração jovem para a revista Família cristã e embora, a jornalista só visse pontos negativos para apontar sobre a nova geração, Dom Helder a fez se encher de esperança com a afirmação de que “É preciso ter calma. Estamos apenas nos primeiros dias da criação. A vida está nascendo todos os dias” relembrou a conferencista.

Naquela entrevista, a jornalista aprendeu que a esperança vem junto com a fé e se firma em algo concreto para a existência humana: Deus, o princípio de tudo. A partir dessa abordagem inicial, a hoje professora, nos conduziu por uma reflexão sobre a importância da esperança nos dias de hoje sob o ponto de vista humano e cristão e nos convidou a viver uma esperança ativa – criativa, principalmente, no campo da comunicação. “É preciso reafirmar isso, retomar essa discussão, alimentá-la todos os dias” frisou a professora.

Outra abordagem interessante feita por ela é que a palavra esperança é uma das mais usadas e almejadas nos nossos dias. “Hoje, existe Pizza Esperança, Fazenda Esperança, Criança Esperança, Deus da Esperança só para citar alguns exemplos. Até porque a esperança é a última que morre” brincou se referindo ao clima quente.

Segundo a professora, a esperança é uma virtude que traz em si o desejo de um futuro melhor e uma teimosia que leva a viver um processo de pensar o futuro, enquanto se vive o presente. Ao falar sobre a vida, ela classifica o comportamento humano em pelo menos três atitudes comuns: o medo, que nos paralisa, impede de seguir adiante; a simples espera, uma postura passiva e indiferente diante da vida e a esperança, força que faz o que não existe vir à cena.
Ela continua seu raciocínio afirmando que a esperança cristã é uma das virtudes teologais do Cristianismo. Ao analisar a Bíblia, ela observou que no Antigo testamento, o povo de Israel vive a esperança, através das promessas e das alianças com Deus, ao mesmo tempo em que os profetas denunciavam as falsas esperanças. Com isso, ela abre um parêntese e chama atenção para as falsas ilusões impostas hoje pelos meios de comunicação, principalmente, através da propaganda, telenovelas e Big Brothers, formatos televisivos que segundo a pesquisadora, deveriam estar sendo utilizados para anunciar a esperança, denunciar as injustiças e promover a solidariedade.
Como exemplo dessa esperança no antigo testamento, ela citou a promessa de Deus a Abraão, a quem seria dada uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu. Nesse caso, era necessário muita fé para acreditar já que sua esposa era estéril. Após essa afirmação, ela frisou o vínculo entre fé e esperança que é o amor.

Já no novo testamento, a esperança de Israel se realiza com Jesus. “Os primeiros cristãos vivem essa esperança, que ultrapassa os limites da cruz com a ressurreição de Cristo”, completa a pesquisadora. Ela destaca a crise atual da fé, a crise da esperança, das utopias geradas pela selvageria do capitalismo neoliberal. “O mundo afunda em crises de sentidos cada vez mais profundas e uma das formas de sair dessa crise é assumir uma esperança ativa – criativa na construção da realidade social. É preciso motivar a presença como cristãos na extensão da obra de Deus no mundo da comunicação” afirmou a professora.

Continuando a exposição, ela apontou a comunicação como o novo areópago, espaço público sócio-cultural para se realizar a evangelização. Segundo ela, “o uso dos meios de comunicação não tem só a finalidade de ampliar o anúncio do Evangelho, mas também é necessário integrar a mensagem nesta “nova cultura” criada pelos modernos meios de comunicação”.

Além disso, a professora define o areópago da comunicação como um cenário em mudança, que tem pelo menos três características: o surgimento de novas sociabilidades, novos espaços e com isso, novas visibilidades, novos pertencimentos, maneiras de agir e interagir, o que dá origem a uma nova cultura: a cultura midiática.

Para exemplificar essas novas formas de cultura, ela citou como exemplo o Campus Party, um dos maiores eventos de inovação na área de internet e entretenimento, que reúne jovens do mundo todo durante uma semana para debater, assistir palestras e demonstrar suas criações. Esse é atualmente um dos lugares de recrutamento de novos talentos na área da tecnologia digital.

A pesquisadora encerra relatando a importância e a necessidade da igreja se fazer presente nesses ambientes. “Como não domina as tecnologias, a postura da igreja deve ser outra. É preciso deixar os jovens debaterem, sem impor nossos pensamentos. Através desse nosso testemunho, faremos brotar algo diferente no coração deles. Além disso, a igreja tem procurado pôr em prática essa esperança criativa através da Pastoral da Comunicação, presente no mundo digital em constante fidelidade a Palavra do Evangelho. É preciso se voltar para o ser humano e também para as máquinas, espaço onde cada vez mais se dá a comunicação”.

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